"O processo de percepção e a ação dos sentidos não esgotam a experiência dita estética, e menos ainda porque a arte considerada habitualmente como exemplar, a poesia, não é em sua essência relativa à visão nem à audição, mas exige a mobilização do espírito. A beleza da poesia sustenta-se em seu sentido e não pode ser separada de sua verdade" Todorov
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Mostrando postagens de maio, 2011
De uma metáfora (uma fenomenologia do lugar)
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Me deparei com uma bonita metáfora, tirada das páginas de algum autor (provavelmente Marguerite Duras, se a minha débil memória não falha, e sempre falha): não somos nós que habitamos uma casa, mas ela quem nos habita. De fato, a casa é um espaço de percepção subjetiva, onde a memória afetiva fica impressa no sujeito de forma indelével. Poderia me deter aí e apelar para Bergson seguido de Proust, mas vou além e subrepticiamente, para sacanear com os autores de que gosto (assim lhes rendo uma homenagem - ou seria ménage? ), afirmo que uma casa é o âmago propício a intervenções - digo "intervenções", e não, como diria nosso amigo Bergson, "memória como duração interior" -, onde confluem passado, presente e futuro e se desfolham, ante nossa visão de centro, as páginas de toda uma vida, senão molhadas com lágrimas, ao menos sentidas com certa profundidade. Mas tais intervenções logo se secam recolhidas por uma ampla abordagem histórica que nos empurra avante. Ness...
Uma nota sobre Bachelard
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Bachelard promove uma revitalização da linguagem, uma fenomenologia da obra poética, adotando o ponto de vista segundo o qual a imagem possui o poder de revelar a coisa, fazê-la aparecer diante do sujeito. Porém, não se deve, para tanto, adotar o velho rigor dedutivo que tanto norteou a postura filosófica tradicional, mas, ao contrário, mergulhar no ilogismo, na profundidade da imagem poética, ela mesma presença e verdade. Vagner