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Mostrando postagens de janeiro, 2014
De toda a literatura deste vasto e estúpido mundo as francesa e russa são as melhores, sobretudo a primeira. Os grandes espíritos, os mavórticos malditos dessa região da Europa, foram os que fizeram estremecer a moral e os bons costumes da burguesia do ancien régime, que dinamitaram o verso do parnaso oficial, fossilizado por uma estetização absolutamente exterior que acabaria por esgotar os recursos plurisígnicos da poesia. Toda essa plêiade magnífica de loucos agraciados, Rimbaud e sua legião dando uns rolês pelo inferno, assombrando-o, Baudelaire cheirando as suas Flores do Mal e se inebriando com a visão narcótica de um Éden possuído, Mallarmé tocando o Absoluto com a ponta de sua pena, Apollinaire e seus Caligramas escritos na pele, Lautréamont e seus cantos negros, Gide, René Char, Artaud, Genet e tantos outros anjos decaídos fizeram e fazem minha cabeça. Atrás deles vêm Maiakovski, Blok e todo o exército revolucionário da poesia.