De
toda a literatura deste vasto e estúpido mundo as francesa e russa são as
melhores, sobretudo a primeira. Os grandes espíritos, os mavórticos malditos
dessa região da Europa, foram os que fizeram estremecer a moral e os bons
costumes da burguesia do ancien régime, que dinamitaram o verso do parnaso
oficial, fossilizado por uma estetização absolutamente exterior que acabaria
por esgotar os recursos plurisígnicos da poesia. Toda essa plêiade magnífica de
loucos agraciados, Rimbaud e sua legião dando uns rolês pelo inferno,
assombrando-o, Baudelaire cheirando as suas Flores do Mal e se inebriando com a
visão narcótica de um Éden possuído, Mallarmé tocando o Absoluto com a ponta de
sua pena, Apollinaire e seus Caligramas escritos na pele, Lautréamont e seus cantos
negros, Gide, René Char, Artaud, Genet e tantos outros anjos decaídos fizeram e
fazem minha cabeça. Atrás deles vêm Maiakovski, Blok e todo o exército
revolucionário da poesia.
Participei, nesse final de semana, de uma excelente oportunidade de troca viva de idéias e experiências sobre o ato da escrita. Deu-se em uma oficina na montanhosa região do Bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, sob a supervisão da escritora e psicóloga Tânia Cristina Dias e do teatrólogo e também escritor Carlos Renatto. Os idealizadores da oficina Carlos Renatto e Tânia Cristina Dias Acho inciativas como essa heróicas, não só por se tratar de um setor tão negligenciado como a cultura, mas por ser uma atitude de encontro, de troca intensa e presencial de idéias, contrariando o ofício de escrever, sempre solitário. Troca de idéias Tivemos oportunidade de nos conhecermos e expandirmos nossas visões sobre arte, criamos juntos como o crente comunga uma hóstia. Isso é ótimo, pois em geral os artistas, por se dedicarem a um ofício subjetivo, vivem muito para dentro, são vaidosos, suscetíveis e nutrem uma idéia supervalorizada de suas obras. Ali reescrevemos conto...
Comentários
Postar um comentário