De
toda a literatura deste vasto e estúpido mundo as francesa e russa são as
melhores, sobretudo a primeira. Os grandes espíritos, os mavórticos malditos
dessa região da Europa, foram os que fizeram estremecer a moral e os bons
costumes da burguesia do ancien régime, que dinamitaram o verso do parnaso
oficial, fossilizado por uma estetização absolutamente exterior que acabaria
por esgotar os recursos plurisígnicos da poesia. Toda essa plêiade magnífica de
loucos agraciados, Rimbaud e sua legião dando uns rolês pelo inferno,
assombrando-o, Baudelaire cheirando as suas Flores do Mal e se inebriando com a
visão narcótica de um Éden possuído, Mallarmé tocando o Absoluto com a ponta de
sua pena, Apollinaire e seus Caligramas escritos na pele, Lautréamont e seus cantos
negros, Gide, René Char, Artaud, Genet e tantos outros anjos decaídos fizeram e
fazem minha cabeça. Atrás deles vêm Maiakovski, Blok e todo o exército
revolucionário da poesia.
Nietzsche via Novalis
"Seja em que poesia for, o caos deve transparecer sob o véu cerrado da ordem." - Novalis
Comentários
Postar um comentário