De
toda a literatura deste vasto e estúpido mundo as francesa e russa são as
melhores, sobretudo a primeira. Os grandes espíritos, os mavórticos malditos
dessa região da Europa, foram os que fizeram estremecer a moral e os bons
costumes da burguesia do ancien régime, que dinamitaram o verso do parnaso
oficial, fossilizado por uma estetização absolutamente exterior que acabaria
por esgotar os recursos plurisígnicos da poesia. Toda essa plêiade magnífica de
loucos agraciados, Rimbaud e sua legião dando uns rolês pelo inferno,
assombrando-o, Baudelaire cheirando as suas Flores do Mal e se inebriando com a
visão narcótica de um Éden possuído, Mallarmé tocando o Absoluto com a ponta de
sua pena, Apollinaire e seus Caligramas escritos na pele, Lautréamont e seus cantos
negros, Gide, René Char, Artaud, Genet e tantos outros anjos decaídos fizeram e
fazem minha cabeça. Atrás deles vêm Maiakovski, Blok e todo o exército
revolucionário da poesia.
"As loucuras da última esbórnia devem ser sepultadas em eterno olvido a fim de abrir o máximo espaço para as loucuras da próxima" (David Hume) Vejam que Hume era um fanfarrão. Não sou eu que estou a dizer, é ele próprio, como se pode confirmar aí em cima. Os filósofos necessitam de noitadas regadas a muito álcool, Não foi à toa que Platão foi em tantos banquetes. E Sócrates? Quem não se lembra que no final do livro, cujo título em si já diz tudo, O Banquete, todos tombam, totalmente ébrios? Sócrates era tão chegado a uma taça que ao receber a taça de cicuta que o mataria sugeriu que se fizesse um brinde, ao que o carcereiro achou que não seria conveniente devido às circunstâncias. A esbórnia é, por assim dizer, a pátria de todo gênio, senão como suportar a vida? E Baudelaire? "Embriaga-te", era o seu lema. Horácio, que, como Sócrates, não era muito chegado à labuta, inventou o "carpe diem", aproveite a vida. Parece que nossos políticos levaram a séri...
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