"As loucuras da última esbórnia devem ser sepultadas em eterno olvido a fim de abrir o máximo espaço para as loucuras da próxima" (David Hume)
Vejam que Hume era um fanfarrão. Não sou eu que estou a dizer, é ele próprio, como se pode confirmar aí em cima. Os filósofos necessitam de noitadas regadas a muito álcool, Não foi à toa que Platão foi em tantos banquetes. E Sócrates? Quem não se lembra que no final do livro, cujo título em si já diz tudo, O Banquete, todos tombam, totalmente ébrios? Sócrates era tão chegado a uma taça que ao receber a taça de cicuta que o mataria sugeriu que se fizesse um brinde, ao que o carcereiro achou que não seria conveniente devido às circunstâncias. A esbórnia é, por assim dizer, a pátria de todo gênio, senão como suportar a vida? E Baudelaire? "Embriaga-te", era o seu lema. Horácio, que, como Sócrates, não era muito chegado à labuta, inventou o "carpe diem", aproveite a vida. Parece que nossos políticos levaram a sério tal lema. Álvares de Azevedo escreveu Noite na Taverna, onde um grupo de góticos filosofavam à sua maneira lúgubre entre talagadas e mais talagadas de vinho e pessimismo. E Jorge Amado, que escreveu Quincas Berro D'água, que morreu de cirrose? E bukowski, que bebeu tanto que quase entrou pra dentro de uma garrafa de uísque? E quem vai negar que os padrecos se embebedam de vinho toda missa com a litúrgica desculpa de estarem bebendo o sangue de Cristo? Façam o teste do bafômetro neles e nenhum escapará. Sim, Hume era um bebum e por isso escreveu tanta coisa bacana, ou será o contrário, escreveu tanta coisa bacana que acabou por beber muito? Sei lá, e enquanto penso nisso vou ali molhar a palavra...
Comentários
Postar um comentário