Postagens

Mostrando postagens de dezembro, 2014

Literatices

Imagem
Em alguns de seus versos Drummond explora o tema (já tão explorado) do amor. Ele concebe a idéia do amor como algo desaferrado do elemento físico, que o conspurca, que o avilta, uma vez que o amor é de natureza celeste, transcendente. É então que se plasmam versos como estes: “Eu te amo porque te amo. Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga.” A relação amorosa não pressupõe reciprocidade. Amar é uma experiência solitária, até independente do outro: “Amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.” “Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim. Porque amor não se troca”  (Carlos Drummond de Andrade, As Sem-Razões do Amor, in Corpo) A partir do momento em que deixamos de nos amar de forma patologicamente narcísica é que começamos a amar o outro, pois aí o encontramos e o vemos (“Eu te amo porque não amo/bastante ou demais a mim”). ...