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Esse negócio de amor feliz pra mim tem o mesmo valor de um conto de fadas. Como acredito totalmente no "caráter disfuncional a priori do gênero humano", tenho certeza de que amores não foram feitos para serem felizes. Se você entra numa relação esperando ser feliz, pode ter certeza de que vai se estrepar, porque a dinâmica de um relacionamento requer conflito pra uma adequação e uma possível harmonia de contrários (possível). Se você não vive isso não vai pra frente, pode acreditar. Acho mesmo que essa expectativa é que estraga tudo. Ter a total e lúcida consciência de que o sujeito é disfuncional como você, como nós, já é o primeiro passo pra uma relação minimamente sadia. Quer amor feliz? Vai ver novelas

Nietzsche via Novalis

"Seja em que poesia for, o caos deve transparecer sob o véu  cerrado da ordem." - Novalis

Um poema antigo

Quem sou eu? Aonde vou? Que é a vida? Fechado em meu palácio futurista, A estrada afora perde-se de vista E a minha viagem é sempre preterida. Eu sou um louco, um Fausto, um epicurista, A colorir de ócio as minhas horas. Nada quero, não almejo uma conquista, Escarneço de todas as vitórias. Um palhaço, um bobo, um materialista, A rir do mundo e suas vãs quimeras, Minha alma perde-se através das eras E o meu corpo de si mesmo dista. Minha consciência, diz meu analista, É dual, cheia de ocas contradições. Mas, cá pra nós (falo com meus botões), Ele sim é o doente e eu um artista. Um paranóico, um místico, um budista, Ando à procura de um calmo nirvana, Onde, longe da natureza humana, Me eterize sem deixar uma pista. Palhaço de circo, malabarista, Vivo sempre em cima da corda bamba. Minha vida pouco a pouco descamba, E eu danço samba porque sou flautista. Talvez um mago, um cego, um ilusionista, Eu não existo, nem você, leitor....