"As loucuras da última esbórnia devem ser sepultadas em eterno olvido a fim de abrir o máximo espaço para as loucuras da próxima" (David Hume) Vejam que Hume era um fanfarrão. Não sou eu que estou a dizer, é ele próprio, como se pode confirmar aí em cima. Os filósofos necessitam de noitadas regadas a muito álcool, Não foi à toa que Platão foi em tantos banquetes. E Sócrates? Quem não se lembra que no final do livro, cujo título em si já diz tudo, O Banquete, todos tombam, totalmente ébrios? Sócrates era tão chegado a uma taça que ao receber a taça de cicuta que o mataria sugeriu que se fizesse um brinde, ao que o carcereiro achou que não seria conveniente devido às circunstâncias. A esbórnia é, por assim dizer, a pátria de todo gênio, senão como suportar a vida? E Baudelaire? "Embriaga-te", era o seu lema. Horácio, que, como Sócrates, não era muito chegado à labuta, inventou o "carpe diem", aproveite a vida. Parece que nossos políticos levaram a séri...
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Apocalípticos e Integrados (Em desesa da cultura de massa)
Para os que se atêm ao velho e viciado discurso acadêmico que, no campo da estética, ainda se agarra aos epítetos adornianos como perspectiva crítica, vale lembrar que Umberto Eco, ninguém mais ninguém menos do que o maior semiótico da história, em seu livro Apocalípticos e Integrados, faz uma interessante defesa da tão difamada cultura de massa. Eco começa por distinguir aqueles que são de espírito mais flexível, mais abertos em relação às inovações artísticas, os integrados, e os que defendem posturas rígidas tipicamente conservadoras e são refratários a qualquer busca por uma nova expressão estética, os apocalípticos. Quando penso em apocalípticos impossível não virem à minha cabeça as famigeradas bienais de São Paulo, vítimas de críticas de autores reconhecidos, como Ferreira Gullar. Gullar se refere sempre às bienais de sampa como algo que não deve ser levado a sério, quase uma fraude. Certa vez afirmou que as instalações de uma das bienais eram uma tentativa d...
Texto antigo, sempre atual : outsiders de todo o mundo, uni-vos!
A marginalização funciona como uma salvaguarda diante de uma constituição social e familiar, reflexo da primeira, degenerada. Sair fora dos trilhos, derrapar, ser peregrino, inventor do seu próprio caminho, é a cura para a homogeneização anuladora que nos ameaça. É preciso dar o grito e o salto para fora, caso contrário é-se arregimentado ilicitamente por uma ordem padronizada que obedece diretamente à orquestração de ordem fraudulenta dos setores coercitivos, dos aparelhos do Estado. Mesmo no seio da família, reprodutora dos modelos tradicionais desse Estado, protocélula dele, é necessário manter autonomia nas relações com os próximos, pois ela reproduz, além dos modelos morais e conservadores, padrões coercitivos, autoritários que servem diretamente à política oficial. O caminho melhor seria fugir, viver à margem, ir buscar a própria liberdade no âmbito da rua, se não for possível encontrar espaços alternativos, ainda que isso traga como conseqüência a brutalização e desumanização d...

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