Eu saúdo a luta,
a batalha campal, o enfrentamento, pois outra coisa a existência não é senão
uma grande batalha física, metafísica. Saúdo os primórdios onde se travaram as
grandes e seculares guerras, os Aquiles, Heitores e Menelaus, os Páris da vida
em suas ilíadas de sangue. Saúdo cada segundo da vida, pois ele não passa de um
emblema da nossa luta contra a morte. Morremos e ressuscitamos a cada inspiração-expiração.
O próprio modelo social se constitui já como signo de luta inglória, e muitas
vezes não-inglória mas legítima, pelo poder. Sem falar naquela outra
proposição, já gasta, que aponta para aquela mais significativa guerra: a de
nós contra nós mesmos.
"As loucuras da última esbórnia devem ser sepultadas em eterno olvido a fim de abrir o máximo espaço para as loucuras da próxima" (David Hume) Vejam que Hume era um fanfarrão. Não sou eu que estou a dizer, é ele próprio, como se pode confirmar aí em cima. Os filósofos necessitam de noitadas regadas a muito álcool, Não foi à toa que Platão foi em tantos banquetes. E Sócrates? Quem não se lembra que no final do livro, cujo título em si já diz tudo, O Banquete, todos tombam, totalmente ébrios? Sócrates era tão chegado a uma taça que ao receber a taça de cicuta que o mataria sugeriu que se fizesse um brinde, ao que o carcereiro achou que não seria conveniente devido às circunstâncias. A esbórnia é, por assim dizer, a pátria de todo gênio, senão como suportar a vida? E Baudelaire? "Embriaga-te", era o seu lema. Horácio, que, como Sócrates, não era muito chegado à labuta, inventou o "carpe diem", aproveite a vida. Parece que nossos políticos levaram a séri...
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