Fico vendo pela TV (um documentário) essas raves eletrônicas onde milhares de pessoas se sacodem durantes dias sem parar. Pra mim, ao contrário do anátema moral a que são submetidas por certos setores puritanos da sociedade brasileira, se trata de uma celebração orgíaca do corpo que promove sua liberação total, seu descondicionamento, o desregramento de todos os sentidos. A música ali possui um efeito hipnótico e comanda os corpos, que, em báquico transe, deixam-se embalar pelo seu ritmo febril, até que, no limite, extenuados, sucumbem. Muitos, quando o terceiro ou quarto dia desponta, são flagrados desacordados pela grama (em geral essas festas são realizadas em sítios), como se os primeiros fachos do sol estivessem a revelar as vítimas imoladas de um ritual libertário. Ali, nessas raves, tudo é permitido, rompem-se os códigos mais convencionais, o amor se exibe em sua forma múltipla, sem dono, sem prisões. Todo mundo beija todo mundo. Não sobra espaço para exclusivismos, para jo...
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Mostrando postagens de janeiro, 2012
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Esse nosso ofício reflexivo pode ser benfazejo em certos casos, mas quando resvala pra paranóia conceitual, quando a gente se torna meros colecionadores de idéias, aí a coisa fica patológica. Nietzsche viu muito bem isso, pois enxergou no homo teoricus e seu aparato intelectual que depois fomentaria a lógica e seu rigor dedutivo que acabaria por dar sustentação à ciência, inclusive aquela ciência que, na sua voracidade técnica e pretensão de controlar todos os fenômenos do universo, acabaria por adotar um sistema opressor sobre o ser humano fazendo com que ele perdesse sua subjetividade e fosse visto como um mero objeto passível de dominação, uma mentira cínica e um condicionamento doentio. O nosso querido bigodudo alemão via essa imagem do homem filosofante e lógico como uma doença na medida em que a vida ficava totalmente apartada, como se fosse provocada uma cisão entre ser e mundo, o que é um erro. Na verdade, creio que pensar demais nos embota, e digo pensar no sentido técnic...