A literatura brasileira é uma das ricas do mundo. Não só ela, mas a cultura brasileira é uma das mais profícuas e consistentes do mundo. Temos atores e autores respeitados em âmbito geral, gente do teatro, das artes plásticas, da literatura e outras áreas afins. No meu caso, iniciei-me como leitor pela literatura do meu país. Cedo descobri Machado, Alencar, Manoel de Macedo, Lima Barreto, nossos poetas. Minhas primeiras influências poéticas vieram dos nossos bardos. Lia tudo, sem critério, misturava gêneros, indo do arcádico, passando pelo parnaso mais formalista, pelo nosso rico simbolismo, até o modernismo e vanguarda. Minhas leituras simbolistas ficaram indelevelmente gravadas no meu DNA poético. Certa vez, em uma oficina literária ministrada por uma autora conhecida, esta sugeriu, como de praxe, que escrevêssemos ali, de improviso, a título de análise textual pura e simples. Elaborei, então, um miniconto bastante pessoal e repleto de palavras esdrúxulas e rítmicas, uma das minhas...
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Mostrando postagens de maio, 2013
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Coreografia de algozes e decapitados num sutra de carne e treva, lampejos de uma pseudoluz luziluzindo na noite subterrânea e seu ópio de Adonai - calor e medo; amor, é cedo! -, pupilas que supliciam apenas passagem, a cidade dentro do tribunal das horas, com seu corpo embalsamado cheio de pássaros suicidas...
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É comovente como o poema nos causa impressão, como um flashe meteórico que nos ofusca a visão, como um tapa, um tapa súbito, e o poema faz isso sem precisar, como na filosofia, se utilizar da violência do conceito, da razão bárbara, o poema infunde uma verdade musical na alma e essa verdade se torna indelével em nós, o poema não explica nada, ensina com substância impensada, e isso é belo e universal, a razão só empobrece, limita, nos dá um xérox pálido de tudo, a poesia culmina no fundo do espírito e lá aquele clarão de que falei nos ilumina. Acho este poema belíssimo: na hora de pôr a mesa, éramos cinco: o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs e eu. depois, a minha irmã mais velha casou-se. depois, a minha irmã mais nova casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje, na hora de pôr a mesa, somos cinco, menos a minha irmã mais velha que está na casa dela, menos a minha irmã mais nova que está na casa dela, menos o meu pai, menos a minha mãe viúva. cada um deles é u...
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Raul Seixas foi não só um profícuo bardo do nosso cancioneiro, mas também uma espécie de mago, de bruxo do bem, de esotérico adepto da ala branca de Madama Blavatsky e outras seitas, juntamente com seu parceiro Paulo Coelho, hoje conhecido autor de certo gênero pasteurizado destinado a uma concepção salvífica e, por isso mesmo, muito criticado. Suas canções ressoam em minha infância, onde ouvia ecos do clássico Gîta, lá pelos inícios dos anos setenta, até hoje, quando o ouço e fico absorvendo as emanações sapienciais que delas surgem. Se fosse aqui falar de Gîta teria que trazer á luz análises de cunho filosófico sobre essa música, toda ela inspirada na obra sagrada do hinduísmo Baghavad Gîta, o que demandaria uma riqueza e profundidade que não vêm ao caso, porque não vou tratar dessa canção aqui, mas de outra não menos rica e importante, Metamorfose Ambulante. Aliás, o repertório do autor é vastíssimo e todo ele dotado de uma complexidade e grandeza que o colocam ao lado dos mais...