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Mostrando postagens de 2014

Literatices

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Em alguns de seus versos Drummond explora o tema (já tão explorado) do amor. Ele concebe a idéia do amor como algo desaferrado do elemento físico, que o conspurca, que o avilta, uma vez que o amor é de natureza celeste, transcendente. É então que se plasmam versos como estes: “Eu te amo porque te amo. Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga.” A relação amorosa não pressupõe reciprocidade. Amar é uma experiência solitária, até independente do outro: “Amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.” “Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim. Porque amor não se troca”  (Carlos Drummond de Andrade, As Sem-Razões do Amor, in Corpo) A partir do momento em que deixamos de nos amar de forma patologicamente narcísica é que começamos a amar o outro, pois aí o encontramos e o vemos (“Eu te amo porque não amo/bastante ou demais a mim”). ...
Minha passagem pela escola foi absolutamente desastrosa, patética, apática. Sempre demonstrei um desinteresse total pelas disciplinas que (não) estudei e que me empurraram goela abaixo. Detestei cada segundo que passei nas dependências das instituições pedagógicas. Posso afirmar, hoje, que a escola não ensina nada a ninguém, a não ser aquelas bobagens que eles obrigam os alunos a decorar pra que eles passem de ano, automatismo irresponsável e antipedagógico. A escola só introduz o sujeito no submundo sádico e perverso do social, formando-o enquanto homo homini lupus. Tudo o que sei aprendi das leituras vivas e apaixonadas que fiz durante minha vida, leituras sempre diversas, em consonância com minha obstinada curiosidade. Isso me engrandeceu como homem e como intelectual. Tudo o que aprendi aprendi fora da escola. A escola, repito, é uma instituição inútil. Alguém há de argumentar que “bons” alunos se formam aos montes. Nesse caso o que há é uma adequação ao modus operandi tacanho da ...
De toda a literatura deste vasto e estúpido mundo as francesa e russa são as melhores, sobretudo a primeira. Os grandes espíritos, os mavórticos malditos dessa região da Europa, foram os que fizeram estremecer a moral e os bons costumes da burguesia do ancien régime, que dinamitaram o verso do parnaso oficial, fossilizado por uma estetização absolutamente exterior que acabaria por esgotar os recursos plurisígnicos da poesia. Toda essa plêiade magnífica de loucos agraciados, Rimbaud e sua legião dando uns rolês pelo inferno, assombrando-o, Baudelaire cheirando as suas Flores do Mal e se inebriando com a visão narcótica de um Éden possuído, Mallarmé tocando o Absoluto com a ponta de sua pena, Apollinaire e seus Caligramas escritos na pele, Lautréamont e seus cantos negros, Gide, René Char, Artaud, Genet e tantos outros anjos decaídos fizeram e fazem minha cabeça. Atrás deles vêm Maiakovski, Blok e todo o exército revolucionário da poesia.