Minha
passagem pela escola foi absolutamente desastrosa, patética, apática. Sempre
demonstrei um desinteresse total pelas disciplinas que (não) estudei e que me
empurraram goela abaixo. Detestei cada segundo que passei nas dependências das
instituições pedagógicas. Posso afirmar, hoje, que a escola não ensina nada a
ninguém, a não ser aquelas bobagens que eles obrigam os alunos a decorar pra
que eles passem de ano, automatismo irresponsável e antipedagógico. A escola só
introduz o sujeito no submundo sádico e perverso do social, formando-o enquanto
homo homini lupus. Tudo o que sei aprendi das leituras vivas e apaixonadas que
fiz durante minha vida, leituras sempre diversas, em consonância com minha
obstinada curiosidade. Isso me engrandeceu como homem e como intelectual. Tudo
o que aprendi aprendi fora da escola. A escola, repito, é uma instituição
inútil. Alguém há de argumentar que “bons” alunos se formam aos montes. Nesse
caso o que há é uma adequação ao modus operandi tacanho da escola, suas
decorebas, suas fórmulas inúteis e suas resenhas rasas. Não significa
inteligência, senão um tipo perverso de inteligência, se é que se pode
classificá-lo dessa forma, que vegeta no pragmatismo e na ausência de
aprofundamento. Nesse caso o aluno se profissionaliza como um robô mental, pega
o jeito da coisa, aprende a enganar seus professores da mesma forma como estes
enganam seus alunos. Tudo é uma grande sacanagem e quem leva a pior no fundo é
a educação. Por isso há que se clamar por reformas urgentes na práxis pedagógica.
Fugi da escola pela porta de trás e entrei pela porta da frente dos livros.
Isso me formou. A crise educacional vai desde os primeiros anos da criança até
sua formação universitária. Os corredores das universidades estão repletos de
parasitas com xerox de livros debaixo dos braços e colinhas estratégicas em
lugares estratégicos, todos querendo se dar bem, dane-se se sabem ou não, só
querem o diploma, um papel idiota com assinaturas idiotas que não prova nada, a
não ser que mais um despreparado está apto a entrar no mercado, o que
certamente representa um dano imenso a este. Façam uma experiência: dêem a um
aluno um livro com temáticas existenciais, abstratas, densas, um romance estilo
Kafka, Camus, etc. Peçam a esse aluno que expresse o que entendeu do livro. O
resultado será certamente vergonhoso, porque o pensar por conta própria não
passou pela formação desse aluno, acostumado apenas a receitinhas prontas, a aceitar
regrinhas e datas históricas, porque é isso que os professores, de resto tão
mal preparados quanto esse aluno, ensinam a seu rebanho, mais nada. Nada de
reflexões próprias, nada de conteúdo filosófico, humanitário, social, nada de
estética, de arte, de poético, nada de realmente substancial. No meu tempo o
sujeito que era aprovado no vestibular ganhava um carro dos pais e era
considerado gênio por todos. Nunca entendi isso. Os caras que admiro, que li e
fizeram minha cabeça, não foram ótimos alunos, muitos nem passaram por uma
universidade, mas foram Gênios, com a fulguração própria de um, com a marca
daquele que traz dentro de si uma verdade ancorada não em métodos estúpidos mas
na força do conhecer que amplia, em vez do decoreba das escolas, que só limita.
Quando ia parlamentar com esses “gênios” vestibulandos me decepcionava porque
nada do que eles diziam tinha alguma coisa de inteligente. Então hoje acredito
que se o diploma não fizer jus ao conhecimento, o qual geralmente ele autoriza,
então ele não passa de uma fraude, estelionato intelectual, mais nada.
Participei, nesse final de semana, de uma excelente oportunidade de troca viva de idéias e experiências sobre o ato da escrita. Deu-se em uma oficina na montanhosa região do Bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, sob a supervisão da escritora e psicóloga Tânia Cristina Dias e do teatrólogo e também escritor Carlos Renatto. Os idealizadores da oficina Carlos Renatto e Tânia Cristina Dias Acho inciativas como essa heróicas, não só por se tratar de um setor tão negligenciado como a cultura, mas por ser uma atitude de encontro, de troca intensa e presencial de idéias, contrariando o ofício de escrever, sempre solitário. Troca de idéias Tivemos oportunidade de nos conhecermos e expandirmos nossas visões sobre arte, criamos juntos como o crente comunga uma hóstia. Isso é ótimo, pois em geral os artistas, por se dedicarem a um ofício subjetivo, vivem muito para dentro, são vaidosos, suscetíveis e nutrem uma idéia supervalorizada de suas obras. Ali reescrevemos conto...
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