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"O processo de percepção e a ação dos sentidos não esgotam a experiência dita estética, e menos ainda porque a arte considerada habitualmente como exemplar, a poesia,  não é em sua essência relativa à visão nem à audição, mas exige a mobilização do espírito. A beleza da poesia sustenta-se em seu sentido e não pode ser separada de sua verdade"                      Todorov

De uma metáfora (uma fenomenologia do lugar)

Me deparei com uma bonita metáfora, tirada das páginas de algum autor (provavelmente Marguerite Duras, se a minha débil memória não falha, e sempre falha): não somos nós que habitamos uma casa, mas ela quem nos habita. De fato, a casa é um espaço de percepção subjetiva, onde a memória afetiva fica impressa no sujeito de forma indelével.  Poderia me deter aí e apelar para Bergson seguido de Proust, mas vou além e subrepticiamente, para sacanear com os autores de que gosto (assim lhes rendo uma homenagem - ou seria ménage? ), afirmo que uma casa é o âmago propício a intervenções - digo "intervenções", e não, como diria nosso amigo Bergson, "memória como duração interior" -, onde confluem passado, presente e futuro e se desfolham, ante nossa visão de centro, as páginas de toda uma vida, senão molhadas com lágrimas, ao menos sentidas com certa profundidade. Mas tais intervenções logo se secam recolhidas por uma ampla abordagem histórica que nos empurra avante. Ness...
"Em sua simplicidade, a imagem não tem necessidade de um saber. Ela é a dádiva de uma consciência ingênua" "Numa imagem poética a alma afirma a sua presença"                Bachelard

Uma nota sobre Bachelard

Bachelard promove uma revitalização da linguagem, uma fenomenologia da obra poética, adotando o ponto de vista segundo o qual a imagem possui o poder de revelar a coisa, fazê-la aparecer diante do sujeito. Porém, não se deve, para tanto, adotar o velho rigor dedutivo que tanto norteou a postura filosófica tradicional, mas, ao contrário, mergulhar no ilogismo, na profundidade da imagem poética, ela mesma presença e verdade.                Vagner

Um fragmento novalisiano

“Somente um artista pode decifrar o sentido da vida”    Novalis
"Uma filosofia, quando está em sua plena virulência, não se apresenta nunca como uma coisa inerte, como a unidade passiva e já terminada do Saber; nascida do movimento social, ela própria é movimento e morde o futuro"                Jean-Paul Sartre

Linguagem ou Tirania - Uma Análise Política do Fenômeno Lingüístico

A linguagem nunca se constituiu apenas como simples instrumento mecânico de troca de signos entre os participantes de uma comunidade social, tampouco é, como alguns acreditaram, um “sistema de regras observáveis” ao qual o sujeito se submete, mas é a superestrutura ideológica do mundo; como tal, certas relações de poder no discurso – já bastante analisadas, diga-se de passagem – devem ser detectadas no próprio fenômeno lingüístico. A linguagem deveria ser um complexo de interação entre dois falantes, onde deveriam ser obedecidas certas regras, como o direito do interlocutor expor suas concepções sobre o assunto dado, bem como o de permitir que o outro também o faça. Acontece que não é isso o que se verifica na prática, onde a relação que se estabelece é puramente vertical, sendo que um domina a fala e impõe dogmaticamente suas pretensas verdades universais, sendo o outro um mero depósito. A linguagem é um organismo vivo e não um sistema pétreo, um conjunto de regras observávei...