Criar formas diáfanas é plasmar a mais absoluta verdade.
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Verbos Transgressores - um breve ensaio sobre Rimbaud e outros malditos
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Rimbaud representa um marco na história de literatura. Com ele dá-se uma quebra total de perspectiva literária, os padrões são rompidos e instauram-se novos, que irão nortear a poesia moderna e de vanguarda. Antes dele a literatura encontrava-se atrelada a uma concepção de belo que remonta aos padrões greco-romanos, às belas-letras. Se se perguntasse a alguém da antiguidade como definir a literatura, ele diria que se tratava da arte do belo através das palavras. Mas em Rimbaud esse padrão se rompe definitivamente. Ele se insurge contra um modelo de poesia formalista, modelo esse engessado e apoiado por uma plêiade de poetas conservadores que dominava o painel na França do seu tempo (1854-1891), notadamente o parnasianismo, vigente então. Detecto essa ruptura em sua obra máxima, Uma Temporada no Inferno, de 1873. No primeiro poema desse livro, verdadeiro divisor de águas na história da poesia, lemos um trecho bastante significativo. O poeta relembra o passado: “Outrora, se bem me ...
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Fico vendo pela TV (um documentário) essas raves eletrônicas onde milhares de pessoas se sacodem durantes dias sem parar. Pra mim, ao contrário do anátema moral a que são submetidas por certos setores puritanos da sociedade brasileira, se trata de uma celebração orgíaca do corpo que promove sua liberação total, seu descondicionamento, o desregramento de todos os sentidos. A música ali possui um efeito hipnótico e comanda os corpos, que, em báquico transe, deixam-se embalar pelo seu ritmo febril, até que, no limite, extenuados, sucumbem. Muitos, quando o terceiro ou quarto dia desponta, são flagrados desacordados pela grama (em geral essas festas são realizadas em sítios), como se os primeiros fachos do sol estivessem a revelar as vítimas imoladas de um ritual libertário. Ali, nessas raves, tudo é permitido, rompem-se os códigos mais convencionais, o amor se exibe em sua forma múltipla, sem dono, sem prisões. Todo mundo beija todo mundo. Não sobra espaço para exclusivismos, para jo...