PARA OS APLAUSOS DO SILÊNCIO


















PSICOLOGIA DO ATOR


Vagner Rossi


REVELAÇÃO



Por trás dos olhos,
o claro.
Por trás da lâmina,
o plano.
Por trás do pano,
o ato.
Por trás da máscara,
                                               o cara!



APRESENTAÇÃO



Não vos peço nem um aplauso,
mais do que golpes de faca,
o show terminal
deste palhaço que vos fala.
Podeis rir, ou, talvez,
franzir vossos semblantes,
no final eu peço bis,
e que a vaia se levante!














Saltimbanco do teatro,
ator, mas sem máscara,
morro no primeiro ato,
me dispo neste palco,
agora feito de fato,
onde o real representa
o seu fictício diário.
Sou falso, mas me faço
sempre de engraçadinho
por pura falta de graça.
Eu sou o personagem.















Se me atirardes flores,
flores de bajulação,
posso chorar amargas
lágrimas de encenação.
Sei rir do meu trágico,
palhaço, e bem patético,
estúpido e inédito.
Teço o ato com engenho,
termino o show com tédio,
rio sobre a platéia,
meu choro é uma comédia.



















Sei fingir por fastio,
há algo em mim que é um mito,
meu gesto é pura mímica,
costumo pagar mico.
Eu mesmo me imito,
é só escândalo o que digo,
pode passar por mentira,
mas é a verdade fingindo-se
de morta para existir.
























Talvez só pura catarse,
eu me dispo no palco,
este palco de carne,
carnal personagem
que realmente encarno
com a fineza de um escárnio.
Todos se fingem de teatros,
mas são puros diálogos,
outros são só monólogos,
alguns intermináveis...



















                                                O fã nada mais é
                                               que a máscara
                                               que coloca no outro,
seu diverso personagem,
aquele que fita o ator
em cena e encena o fato
em seu palco cotidiano.
Somos todos atores
dos nossos próprios dramas...















       Rasgo a máscara ao vivo,
show do meu triste ser.
Descubro que desde criança
sou o personagem de mim.
Triste fim para um espetáculo,
me descobrir assim:
um monólogo dublado...















E após essas breves
apresentações ( ser,
não ser, será? ), deixo
aqui meu papel
do ator nunca ensaiado,
minha lição de engano,
e enquanto a vida encena
seu ato transteatral,
despeço-me do palco,
não sem certo dano,
que aliás é real.

Cai o pano.






Vagner Rossi, dublê agônico dos malabarismos dos punhais.

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