Participei, nesse final de semana, de uma excelente oportunidade de troca viva de idéias e experiências sobre o ato da escrita. Deu-se em uma oficina na montanhosa região do Bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, sob a supervisão da escritora e psicóloga Tânia Cristina Dias e do teatrólogo e também escritor Carlos Renatto. Os idealizadores da oficina Carlos Renatto e Tânia Cristina Dias Acho inciativas como essa heróicas, não só por se tratar de um setor tão negligenciado como a cultura, mas por ser uma atitude de encontro, de troca intensa e presencial de idéias, contrariando o ofício de escrever, sempre solitário. Troca de idéias Tivemos oportunidade de nos conhecermos e expandirmos nossas visões sobre arte, criamos juntos como o crente comunga uma hóstia. Isso é ótimo, pois em geral os artistas, por se dedicarem a um ofício subjetivo, vivem muito para dentro, são vaidosos, suscetíveis e nutrem uma idéia supervalorizada de suas obras. Ali reescrevemos conto...
Para os que se atêm ao velho e viciado discurso acadêmico que, no campo da estética, ainda se agarra aos epítetos adornianos como perspectiva crítica, vale lembrar que Umberto Eco, ninguém mais ninguém menos do que o maior semiótico da história, em seu livro Apocalípticos e Integrados, faz uma interessante defesa da tão difamada cultura de massa. Eco começa por distinguir aqueles que são de espírito mais flexível, mais abertos em relação às inovações artísticas, os integrados, e os que defendem posturas rígidas tipicamente conservadoras e são refratários a qualquer busca por uma nova expressão estética, os apocalípticos. Quando penso em apocalípticos impossível não virem à minha cabeça as famigeradas bienais de São Paulo, vítimas de críticas de autores reconhecidos, como Ferreira Gullar. Gullar se refere sempre às bienais de sampa como algo que não deve ser levado a sério, quase uma fraude. Certa vez afirmou que as instalações de uma das bienais eram uma tentativa d...
Desde os primórdios se alardeou por aí a superioridade do seres humanos sobre os animais, superioridade esta baseada num critério bastante questionável: a racionalidade. A História desmente tal critério. Ao longo dos anos, tudo o que o homem conseguiu foi promover a discórdia, insuflar conflitos mundiais, decapitar pessoas, oprimi-las. Não precisa muita veemência de minha parte para provar o que digo, os noticiários gritam aos nossos ouvidos todos os dias as conseqüências da “racionalidade” dos seres humanos, nem é preciso aqui elencar todos os horrores promovidos pelos detentores da dourada razão, basta, como eu disse, abrir qualquer livro de História Universal, está lá tudo registrado. Ao longo dos séculos os homens cometeram genocídios, guerras mundiais, ditaduras de todos os tipos, fizeram proliferar a fome, a injustiça, a desigualdade social, contribuindo para o aumento da violência urbana, da guerra civil que presenciamos todos os dias de dentro de nossas prisões de medo e...
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