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Um Ensaio Esotérico

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O pensamento não é algo que se apaga no vazio. Poderíamos dizer, com Mallarmé, que “todo pensamento emite um lance de dados”. Ao pensarmos, nossos pensamentos se tornam centros de força, agrupam-se e criam a realidade, formam-na. Tudo depende, então, do modo como pensamos: se alimentamos pensamentos de carga positiva, elevada, a energia irradiada se plasma no mundo concreto, gerando coisas boas, mas o contrário também é verdadeiro. Os budistas, os místicos, os ocultistas, os adeptos da Cabala, os teósofos de todo o mundo conhecem esse segredo, que foi banalizado e comercializado em nosso tempo através do livro seguido do filme O Segredo. O livro budista canônico Dhammapada (O Caminho da verdade) - uma compilação da doutrina exposta por Sidarta Gautama, o Buda, aos seus discípulos -, logo no primeiro parágrafo do primeiro capítulo, afirma: “Todas as coisas são precedidas pela mente, guiadas pela mente e criadas pela mente. Tudo o que somos hoje é resultado do que temos pens...

Um blues para Bukowski

"Tenho lido os filósofos. São uns caras realmente estranhos, engraçados e loucos. Jogadores. Descartes veio e disse: é pura bobagem o que esses caras estão falando. Disse que a matemática era o modelo da verdade absoluta e óbvia. Mecanismo. Então, Hume veio com seu ataque à validade do conhecimento científico causal. E depois veio Kierkegaard: "Enfio meu dedo na existência - não tem cheiro de nada. Onde estou?. E depois veio Sartre, que sustentava que a existência é absurda. Adoro esses caras. Embalam o mundo. Será que tinham dor de cabeça por pensar dessa forma? Será que uma torrente de escuridão rugia entre seus dentes? Quando você pega homens como esses e os compara aos homens que vejo caminhando nas ruas ou comendo em cafés ou aparecendo na tela da TV, a diferença é tão grande que alguma coisa se contorce dentro de mim, me chutando as tripas" - Charles Bukowski

Um polêmico trabalho de faculdade - defesa dos animais

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Desde os primórdios se alardeou por aí a superioridade do seres humanos sobre os animais, superioridade esta baseada num critério bastante questionável: a racionalidade. A História desmente tal critério. Ao longo dos anos, tudo o que o homem conseguiu foi promover a discórdia, insuflar conflitos mundiais, decapitar pessoas, oprimi-las. Não precisa muita veemência de minha parte para provar o que digo, os noticiários gritam aos nossos ouvidos todos os dias as conseqüências da “racionalidade” dos seres humanos, nem é preciso aqui elencar todos os horrores promovidos pelos detentores da dourada razão, basta, como eu disse, abrir qualquer livro de História Universal, está lá tudo registrado. Ao longo dos séculos os homens cometeram genocídios, guerras mundiais, ditaduras de todos os tipos, fizeram proliferar a fome, a injustiça, a desigualdade social, contribuindo para o aumento da violência urbana, da guerra civil que presenciamos todos os dias de dentro de nossas prisões de medo e...

Emily Dickinson captando Foucault no século XVIII

"Muita Loucura faz Sentido - A um Olho esclarecido - Muito Sentido - é só loucura - É a Maioria Que decide, suprema - Aceite - e você é são - Objete - é perigoso - E merece uma Algema"                    Emily Dickinson

Quirinossalmos

O pouquíssimo conhecido poeta barroco alemão Quirinus Kuhlmann "Tudo muda; tudo ama; tudo quer tudo combater. Só quem medita neste lema alcançará o saber"                               Quirinis Kuhlmann

Um Tiro para Mandelstan

"Batiúshkov não merece piedade. "Que horas são?', perguntaram-lhe uma vez, E ele só respondeu: "Eternidade."                     Mandelstan

Uma antiga microresenha (publicada no site Portal Literal)

O livro Pólen ( Novalis. Pólen. Iluminuras, São Paulo, 2001) inclui-se no movimento que ficou conhecido como fragmentista . Tal movimento filosófico se caracteriza por uma visão de mundo aberta, em processo de vir a ser, contra uma tentativa absolutizante que encontra em Hegel sua máxima expressão. Novalis, bem como outro grande autor fragmentista de seu tempo, Schlegel, adere ao estilo aforismático tal como o de Nietzsche. Assim nunca vê a vida e seus complexos como estruturas fechadas, prontas, dogmáticas, mas prefere estabelecer uma fecunda, contínua e obstinada discussão de tudo à luz libertária da dialética. Ele vê na incompletude mesmo a tradução de um saber autônomo e nunca petrificado em doutrinas. O próprio título, Pólen, já aponta para tal fragmentação, bem como o título do livro de seu contemporâneo, Schlegel, O Dialeto dos Fragmentos. Pólen é um livro moderno, pois a contemporaneidade se caracteriza exatamente por esse processo de abertura e por essa pulverização de...