Uma antiga microresenha (publicada no site Portal Literal)

O livro Pólen ( Novalis. Pólen. Iluminuras, São Paulo, 2001) inclui-se no movimento que ficou conhecido como fragmentista . Tal movimento filosófico se caracteriza por uma visão de mundo aberta, em processo de vir a ser, contra uma tentativa absolutizante que encontra em Hegel sua máxima expressão. Novalis, bem como outro grande autor fragmentista de seu tempo, Schlegel, adere ao estilo aforismático tal como o de Nietzsche. Assim nunca vê a vida e seus complexos como estruturas fechadas, prontas, dogmáticas, mas prefere estabelecer uma fecunda, contínua e obstinada discussão de tudo à luz libertária da dialética. Ele vê na incompletude mesmo a tradução de um saber autônomo e nunca petrificado em doutrinas. O próprio título, Pólen, já aponta para tal fragmentação, bem como o título do livro de seu contemporâneo, Schlegel, O Dialeto dos Fragmentos. Pólen é um livro moderno, pois a contemporaneidade se caracteriza exatamente por esse processo de abertura e por essa pulverização de tudo, vendo o próprio homem em sua estrutura interna como um ser partido.


                          Vagner Rossi

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