A imensa corrida
desenfreada do centro da cidade ancorada no dinheiro e no poder, as praças
apinhadas, onde, no poente em sangue, explodem captações de sentidos
mundividentes, os cafés embalados pela retórica dos discípulos de Demóstenes,
os carros no fluxo das vias abertas como punhos suicidados, os arranha-céus
pipocando em luzes apoteóticas como a querer contato com civilizações
longínquas, tudo isso, os negritos nos jornais evidenciando acontecimentos,
tudo isso apenas diz: as pessoas se procuram nas coisas e justamente nelas se
perdem. As pessoas se perdem porque buscam se refletir naquilo que não são. É
fato, todavia, que tudo está impregnado do humano, o mundo apresenta, por toda
parte, vestígios do humano labor, por toda parte há ecos do anthropos, nas
artes, nas ciências, na tecnologia, na filosofia, na fé, em tudo há a marca
indelével desse ser em sua imensa procura e esquecimento de si, pois, ao se
buscarem nas coisas de fora, as pessoas se esquecem das coisas de dentro, onde
realmente moram. Assim, os homens são Ulisses em busca de sua Ítaca primordial
interior. Mas, ao buscarem erradamente se completar em suas objetificações,
naufragam no terrível saara repleto de sombras turvas que é o mundo em si, se
coisificam, pois se confundem produtores e produtos. Os homens, esses eternos
desconhecidos, mergulham de vez no vendaval obscuro de sua própria desaparição.
Participei, nesse final de semana, de uma excelente oportunidade de troca viva de idéias e experiências sobre o ato da escrita. Deu-se em uma oficina na montanhosa região do Bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, sob a supervisão da escritora e psicóloga Tânia Cristina Dias e do teatrólogo e também escritor Carlos Renatto. Os idealizadores da oficina Carlos Renatto e Tânia Cristina Dias Acho inciativas como essa heróicas, não só por se tratar de um setor tão negligenciado como a cultura, mas por ser uma atitude de encontro, de troca intensa e presencial de idéias, contrariando o ofício de escrever, sempre solitário. Troca de idéias Tivemos oportunidade de nos conhecermos e expandirmos nossas visões sobre arte, criamos juntos como o crente comunga uma hóstia. Isso é ótimo, pois em geral os artistas, por se dedicarem a um ofício subjetivo, vivem muito para dentro, são vaidosos, suscetíveis e nutrem uma idéia supervalorizada de suas obras. Ali reescrevemos conto...
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