Pirado no íntimo, louco, mas livre,
autêntico, sentindo um carrossel de diversos afetos pulsando em mim, vendo
coisas que se misturam, os olhos dos outros se ofuscando na névoa, os faróis
dos carros, os prédios, o mundo-vertigem no colapso do ser-aí. Louco, dizem,
louco sim, e feliz, o que vocês não suportam, louco e sem idéias. As idéias são
furtos dos nossos momentos mais felizes, são amargos venenos de esquecimento,
mas, quando ultrapassamo-las, aí vem o entendimento. Sem leis, apenas as de
dentro, sem moral, sem juízos, apenas o respeito pelo próximo. Louco e
alucinado. Não preciso de moral nem de ética. Isso são coisas inventadas pela
sociedade porque ela não consegue sobreviver sem matar e cria conceitos de
justo e injusto pra manter a coesão e preservar a vida. Essa é a nossa bela
civilização: assassina, mentirosa, atrasada! Um novo mundo desperta para mim
agora. Rodeio as pessoas, feliz. Vejo um equilibrista se apresentando na praça
molhada de chuva. Temos todos que ser equilibristas na vida. O ódio dos bêbados
enjeitados tenta me acertar, mas eu o contorno com minha dança. Não tenho
necessidade de identidade. Assim, vidrado, o coração a mil, sigo uma rota
ignota e me encontro no exato instante de não se medir absolutamente nada. Que
horas são? É a Hora. Que dia? É o Dia. Não quero mais saber do chão, apenas da
brisa. Meu corpo diáfano é mais leve que a luz.
Nietzsche via Novalis
"Seja em que poesia for, o caos deve transparecer sob o véu cerrado da ordem." - Novalis
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