Pirado no íntimo, louco, mas livre, autêntico, sentindo um carrossel de diversos afetos pulsando em mim, vendo coisas que se misturam, os olhos dos outros se ofuscando na névoa, os faróis dos carros, os prédios, o mundo-vertigem no colapso do ser-aí. Louco, dizem, louco sim, e feliz, o que vocês não suportam, louco e sem idéias. As idéias são furtos dos nossos momentos mais felizes, são amargos venenos de esquecimento, mas, quando ultrapassamo-las, aí vem o entendimento. Sem leis, apenas as de dentro, sem moral, sem juízos, apenas o respeito pelo próximo. Louco e alucinado. Não preciso de moral nem de ética. Isso são coisas inventadas pela sociedade porque ela não consegue sobreviver sem matar e cria conceitos de justo e injusto pra manter a coesão e preservar a vida. Essa é a nossa bela civilização: assassina, mentirosa, atrasada! Um novo mundo desperta para mim agora. Rodeio as pessoas, feliz. Vejo um equilibrista se apresentando na praça molhada de chuva. Temos todos que ser equilibristas na vida. O ódio dos bêbados enjeitados tenta me acertar, mas eu o contorno com minha dança. Não tenho necessidade de identidade. Assim, vidrado, o coração a mil, sigo uma rota ignota e me encontro no exato instante de não se medir absolutamente nada. Que horas são? É a Hora. Que dia? É o Dia. Não quero mais saber do chão, apenas da brisa. Meu corpo diáfano é mais leve que a luz.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Apocalípticos e Integrados (Em desesa da cultura de massa)

Um polêmico trabalho de faculdade - defesa dos animais