No poente coberto pelas chagas de Cristo, a
cidade se reveste de uma face grave (o abismo, o de profundis). O movimento é orquestrado pelos falcões do progresso
e as pedras de cada edifício são as lepras da nossa degenerescência social.
Eu
renuncio ao mundo tal como o Senhor Buda renunciou ao Nirvana, com a diferença
de que o mundo dos homens é um inferno e estamos setenta subníveis abaixo do
mais atrasado plano.
Estou coberto de desejos, e eles passam.
Estou cercado de morte, e ela também passa. Estou cercado de fome, e ela se
engole a si mesma e se envenena com a própria inanição. Estou cercado de mim
mesmo, e disso eu não escaparei jamais.
A cidade é um quartel canalha de
prisioneiros medievais.
Da janela do prédio aonde vim resolver
problemas burocráticos, um imponente arranha-céu fincado no coração desta
belzonti provincianamente sofisticada, vejo lá longe a pulsação irrequieta das
pessoas como pequenos coágulos de luz atormentada atravessando o pesadelo do
concreto existir. Vejo carros cruzando uns com os outros, na acirrada batalha
contra o tempo. Vejo a Serra do Curral, e esta cidade não passa mesmo de um
curral aberto à exploração encomiástico-econômica de base sendo sustentado
pelas epístolas capitalistas dos filhos dos louros ianques, filhos da puta que
comem hambúrguer sonhando com o dia em que ninguém se lembrará mais do
Tupi-Guarani. Vejo muita coisa, só não vejo minha visão, que possui o visto.
Quando a noite desce e sepulta a tarde, a
estrela mais distante sou eu.
Porém, ouso descer ao asfalto e morro atropelada. Os entrevados jamais enxergarão o caminho, mesmo se uma luz torta como a minha estiver estilhaçando setas, apontando possíveis direções.
Porém, ouso descer ao asfalto e morro atropelada. Os entrevados jamais enxergarão o caminho, mesmo se uma luz torta como a minha estiver estilhaçando setas, apontando possíveis direções.
Brigitte Bardot é minha namorada, porra!!!
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