Quando não dá mais pra remediar é melhor que termine de vez, que o fim venha então apaziguar a dor e a frustração. Não dá mais, não dá... Saí para a rua e vaguei feito um sonâmbulo por entre seres errantes e nebulosos, vagos protagonistas de uma nouvelle vague bêbada e subterrânea, moribundos zumbis se alimentando do sangue alheio, entre os destroços de um deletério sistema social em flagrante estado de degenerescência. A lua estava espectral, pairando num espaço vítreo. Não dá mais, não dá, gritei com as mãos prensando a cabeça. Um vago perfume carnal veio na brisa noturna como um intermezzo (atenção: a viagem começa sem pára-quedas, turbulência implacável à frente, segurem-se, falidos viajantes deste vôo suicida!), aflorou de repente, ninguém soube por que, veio mais alto do que o tempo, desatinou as substâncias presentes e infundiu um fluxo mais caótico à cidade, que entendeu-se com o movimento sem tentar vencer as formas nuas, apenas deixou-se ir e atingiu seu mais claro insight: No começo está o fim, no fim está o começo...

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