Quando não dá mais pra remediar é
melhor que termine de vez, que o fim venha então apaziguar a dor e a
frustração. Não dá mais, não dá... Saí para a rua e vaguei feito um sonâmbulo
por entre seres errantes e nebulosos, vagos protagonistas de uma nouvelle vague
bêbada e subterrânea, moribundos zumbis se alimentando do sangue alheio, entre
os destroços de um deletério sistema social em flagrante estado de
degenerescência. A lua estava espectral, pairando num espaço vítreo. Não dá
mais, não dá, gritei com as mãos prensando a cabeça. Um vago perfume carnal
veio na brisa noturna como um intermezzo (atenção: a viagem começa sem
pára-quedas, turbulência implacável à frente, segurem-se, falidos viajantes
deste vôo suicida!), aflorou de repente, ninguém soube por que, veio mais alto
do que o tempo, desatinou as substâncias presentes e infundiu um fluxo mais
caótico à cidade, que entendeu-se com o movimento sem tentar vencer as formas
nuas, apenas deixou-se ir e atingiu seu mais claro insight: No começo está o fim, no fim está o
começo...
Participei, nesse final de semana, de uma excelente oportunidade de troca viva de idéias e experiências sobre o ato da escrita. Deu-se em uma oficina na montanhosa região do Bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, sob a supervisão da escritora e psicóloga Tânia Cristina Dias e do teatrólogo e também escritor Carlos Renatto. Os idealizadores da oficina Carlos Renatto e Tânia Cristina Dias Acho inciativas como essa heróicas, não só por se tratar de um setor tão negligenciado como a cultura, mas por ser uma atitude de encontro, de troca intensa e presencial de idéias, contrariando o ofício de escrever, sempre solitário. Troca de idéias Tivemos oportunidade de nos conhecermos e expandirmos nossas visões sobre arte, criamos juntos como o crente comunga uma hóstia. Isso é ótimo, pois em geral os artistas, por se dedicarem a um ofício subjetivo, vivem muito para dentro, são vaidosos, suscetíveis e nutrem uma idéia supervalorizada de suas obras. Ali reescrevemos conto...
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