É um problema terrível esse da consciência, porque
ela nos afasta das vivências, nos torna superficiais, presunçosos, inimigos da
beleza e da luz. Toda consciência é fonte de preconceitos, inclusive morais, e
toda consciência pune. Foi a consciência, e certamente a mais perigosa porque
convicta de toda verdade, que deflagrou os grandes e mortíferos conflitos
mundiais, foi a consciência que propagou regimes discricionários, foi a
consciência que inventou noções de pecado e nos afastou do amor como de uma doença,
foi a consciência que se iludiu - seu maior erro histórico - crendo estar
imersa no âmago das coisas e conhecendo-as, quando apenas criava ficções suas
mesmas, como um retardado que projeta o céu no espelho e diz que foi ele quem o
criou, se autoproclamando Deus.
"As loucuras da última esbórnia devem ser sepultadas em eterno olvido a fim de abrir o máximo espaço para as loucuras da próxima" (David Hume) Vejam que Hume era um fanfarrão. Não sou eu que estou a dizer, é ele próprio, como se pode confirmar aí em cima. Os filósofos necessitam de noitadas regadas a muito álcool, Não foi à toa que Platão foi em tantos banquetes. E Sócrates? Quem não se lembra que no final do livro, cujo título em si já diz tudo, O Banquete, todos tombam, totalmente ébrios? Sócrates era tão chegado a uma taça que ao receber a taça de cicuta que o mataria sugeriu que se fizesse um brinde, ao que o carcereiro achou que não seria conveniente devido às circunstâncias. A esbórnia é, por assim dizer, a pátria de todo gênio, senão como suportar a vida? E Baudelaire? "Embriaga-te", era o seu lema. Horácio, que, como Sócrates, não era muito chegado à labuta, inventou o "carpe diem", aproveite a vida. Parece que nossos políticos levaram a séri...
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