É um problema terrível esse da consciência, porque
ela nos afasta das vivências, nos torna superficiais, presunçosos, inimigos da
beleza e da luz. Toda consciência é fonte de preconceitos, inclusive morais, e
toda consciência pune. Foi a consciência, e certamente a mais perigosa porque
convicta de toda verdade, que deflagrou os grandes e mortíferos conflitos
mundiais, foi a consciência que propagou regimes discricionários, foi a
consciência que inventou noções de pecado e nos afastou do amor como de uma doença,
foi a consciência que se iludiu - seu maior erro histórico - crendo estar
imersa no âmago das coisas e conhecendo-as, quando apenas criava ficções suas
mesmas, como um retardado que projeta o céu no espelho e diz que foi ele quem o
criou, se autoproclamando Deus.
Participei, nesse final de semana, de uma excelente oportunidade de troca viva de idéias e experiências sobre o ato da escrita. Deu-se em uma oficina na montanhosa região do Bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, sob a supervisão da escritora e psicóloga Tânia Cristina Dias e do teatrólogo e também escritor Carlos Renatto. Os idealizadores da oficina Carlos Renatto e Tânia Cristina Dias Acho inciativas como essa heróicas, não só por se tratar de um setor tão negligenciado como a cultura, mas por ser uma atitude de encontro, de troca intensa e presencial de idéias, contrariando o ofício de escrever, sempre solitário. Troca de idéias Tivemos oportunidade de nos conhecermos e expandirmos nossas visões sobre arte, criamos juntos como o crente comunga uma hóstia. Isso é ótimo, pois em geral os artistas, por se dedicarem a um ofício subjetivo, vivem muito para dentro, são vaidosos, suscetíveis e nutrem uma idéia supervalorizada de suas obras. Ali reescrevemos conto...
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